TSE e USP propõem mudanças para tornar urnas eletrônicas mais acessíveis

Urnas Eletrônicas mais acessíveis - Foto: Reprodução TSE

Parceria envolve laboratório da Poli e a FAU para redesenhar a interface das urnas e garantir autonomia e sigilo do voto a eleitores com deficiência. Propostas desenvolvidas por alunos podem beneficiar todos os votantes

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) firmou parceria com o Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores (LARC) da Escola Politécnica da USP e com a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU/USP) para desenvolver novas propostas de interface para as urnas eletrônicas. A iniciativa, anunciada para as eleições gerais deste ano, busca garantir que eleitores com deficiência possam votar com autonomia e sigilo, sem depender de um acompanhante para operar o teclado físico do equipamento.

TSE e USP buscam urnas mais acessíveis

O TSE uniu forças com dois departamentos da Universidade de São Paulo para repensar a forma como os eleitores interagem com as urnas eletrônicas. A parceria envolve o LARC, da Escola Politécnica, responsável pela pesquisa em engenharia de computação, e a FAU, que contribui com expertise em design de informação e interação. O objetivo central é propor mudanças na interface do equipamento para ampliar a acessibilidade durante a votação.

As urnas eletrônicas foram implantadas nas eleições municipais de 1996, inicialmente em 27 cidades, e passaram a ser usadas em todo o país a partir das eleições gerais de 2000. Em três décadas, o modelo se consolidou como um dos sistemas eleitorais mais seguros do mundo, referência internacional no combate a fraudes. A nova iniciativa não questiona essa segurança: busca avançar em uma dimensão que o sistema ainda não resolveu plenamente, a inclusão de eleitores com deficiência.

Projeto Eleições do Futuro e a autonomia do eleitor

A parceria integra o projeto Eleições do Futuro, desenvolvido em colaboração com a Justiça Eleitoral, que reúne diferentes frentes de modernização do processo eleitoral brasileiro. Uma dessas frentes é dedicada especificamente à acessibilidade, com foco na dificuldade de pessoas com deficiência em utilizar o teclado físico da urna.

A professora Lúcia Filgueiras, da Poli/USP e pesquisadora do LARC, explica o problema concreto: atualmente, eleitores com deficiência podem votar com o auxílio de um acompanhante de confiança, que pode inclusive digitar os números no teclado. “O problema é que isso fere a autonomia dessas pessoas. O ideal é que todo mundo tenha direito ao sigilo do voto”, afirmou. O professor Leandro Velloso, da FAU/USP, reforça que o foco do trabalho é justamente eliminar essa dependência, garantindo que o voto seja, de fato, individual e indevassável para qualquer eleitor.

Novas propostas podem beneficiar todos os eleitores

A partir da necessidade de criar formas alternativas de interação com a urna que não dependam exclusivamente do teclado físico, os pesquisadores perceberam que qualquer solução nesse sentido exigiria também uma reorganização das informações apresentadas na tela. Foi essa constatação que motivou a parceria com a FAU e a realização de uma competição de design.

A disputa ocorreu no final do ano passado, como parte de disciplina ministrada pelo professor Velloso. Cerca de 30 alunos de graduação e 3 de pós-graduação da FAU foram divididos em 12 equipes, cada uma desenvolvendo soluções independentes pelo método de design paralelo, que permite comparar diferentes caminhos e combinar os pontos fortes de cada proposta.

O resultado surpreendeu: ao mergulhar no problema da acessibilidade, os alunos acabaram propondo melhorias mais amplas na interface, como mudanças na tipografia, nos elementos gráficos e na hierarquia das informações exibidas na tela. Segundo os pesquisadores, essas sugestões têm potencial de aprimorar a experiência de votação para todos os eleitores, não apenas para aqueles com deficiência, o que reforça a premissa do design inclusivo: quando se projeta para quem tem mais dificuldade, melhora-se para todo mundo.

Tribuna Livre Brasil, com informações da Ascom/TSE

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