uma armadilha para quem quer crescer?

A proposta de atualização do limite de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) gera uma discussão para milhões de brasileiros que encontraram no empreendedorismo uma forma de gerar renda e construir seus próprios negócios. O Projeto de Lei Complementar 186/26 prevê a elevação do teto de faturamento para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, além da possibilidade de contratação de até dois funcionários. Segundo estimativa do Sebrae, essa medida pode resultar na criação de mais de 600 mil empregos já no primeiro ano de vigência, caso apenas 5% dos MEIs optem por contratar um segundo colaborador.

Embora o valor de R$ 140 mil represente uma mudança no teto estabelecido em 2018, considerando a inflação acumulada no período, as propostas em andamento não preveem um mecanismo de correção automática para os anos seguintes. Desde a última atualização do teto de faturamento do MEI, também realizada em 2018, a inflação acumulada já ultrapassou 55%, enquanto o limite permaneceu congelado em R$ 81 mil por ano. Em valores atuais, esse teto seria de aproximadamente R$ 126 mil. Isso gerou diversos problemas para os MEIs que buscam expandir o negócio de forma sustentável.

Mas por que o teto do MEI pode ser visto como uma armadilha para quem quer crescer? Imagine um microempreendedor que faturava R$ 75 mil por ano em 2018. Após anos de inflação e aumento dos custos, ele reajusta os preços para manter a operação saudável. Sem vender muito mais do que antes, seu faturamento se aproxima mais rápido do teto do MEI.

O problema é que o crescimento pode ser suficiente para colocar o microempreendedor em uma situação de risco, mesmo sem representar um ganho real de rentabilidade