Dólar abre em leve queda após anúncio de acordo de paz entre EUA e Irã

O dólar abriu em leve queda nesta segunda-feira (15) com a repercussão do anúncio de acordo entre EUA e Irã pelo fim da guerra, que já durava mais de três meses. Os dois países confirmaram que chegaram a um consenso e que a assinatura deve ocorrer na sexta-feira (19).

Um dos pontos de consenso foi a reabertura do estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás, e que estava com o tráfego bloqueado desde 28 de fevereiro, quando começaram os ataques. Em virtude do acordo, o preço do petróleo desabou nesta segunda.

Os investidores também esperam o início das reuniões no Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central brasileiro e no Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA) para definir as taxas de juros no Brasil e nos EUA, respectivamente. No caso norte-americano, há uma expectativa maior, já que será a primeiro reunião desde que Kevin Warsh assumiu a presidência da autarquia.

Às 9h08, a moeda norte-americana caía 0,29%, cotada a R$ 5,0461. Na sexta (12), o dólar caiu 0,8%, cotado a R$ 5,058, e a Bolsa recuou 0,21%, a 171.132 pontos.

Na ocasião, os investidores ainda avaliavam a possibilidade de um acordo entre EUA e Irã. Investidores também digeriram novos dados de inflação medidos pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A possibilidade de um cessar-fogo definitivo —ainda que envolta em camadas de desconfiança por parte dos investidores, já que o vaivém de informações conflitantes se tornou habitual— fez com que ativos de risco de valorizassem globalmente na quinta. O movimento continuou na sexta, com Wall Street também embalada pela estreia da SpaceX na NYSE, a Bolsa de Nova York.

Após o maior IPO (oferta pública inicial de ações) da história, as ações da companhia espacial de Elon Musk dispararam mais de 20%. O início das negociações serve de teste para aferir a temperatura dos mercados sobre novas empresas listadas, em um momento em que gigantes de inteligência artificial, como OpenAI e Anthropic, se preparam para abrir capital.

No Brasil, dados do IPCA foram destaque. O indicador apontou que a inflação oficial do país desacelerou a 0,58% no mês passado, após marcar 0,67% em abril. Apesar da trégua, a taxa é a maior para maio em cinco anos, desde 2021 (0,83%). Houve pressão da carestia de parte dos alimentos e da energia elétrica.

A variação de 0,58% também ficou acima da mediana das previsões do mercado financeiro, que era de 0,53%, conforme a agência Bloomberg.

Com os novos dados, o IPCA acelerou a 4,72% no acumulado de 12 meses até maio, depois de marcar 4,39% até abril, apontou o IBGE. Assim, o índice ultrapassou o teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central). Isso não ocorria desde outubro do ano passado.

O resultado veio dentro do esperado para o contexto atual, segundo André Valério, economista sênior do Inter. “Com o preço do petróleo abaixo dos US$ 100 e flertando com os US$ 90, a principal fonte de pressão para a inflação passa a ser a inflação de alimentos, especialmente com a perspectiva de um acordo entre Irã e EUA que garanta a reabertura do estreito de Hormuz”, afirma ele.

A expectativa é que a inflação de alimentos continue pressionada, tendo em vista que o El Niño, fenômeno climático com potencial para provocar desastres geo-hidrológicos, já teve seu início oficialmente declarado pelos institutos metereológicos do Japão e dos EUA.

Para a reunião de junho do Copom (Comitê de Política Monetária), a projeção segue de corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, hoje em 14,5% ao ano.

“Para além dessa reunião o cenário fica mais difícil de prever e nossa expectativa é que o Copom decida reunião por reunião. Ainda vemos espaço para o Copom cortar 0,25 ponto por reunião até o fim do ano, levando a Selic a 13,25%, mas com um risco cada vez maior de uma pausa prematura.”

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF

Os estudantes que participaram de pelo menos uma edição do Exame Nacional

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