A falta de policiamento ou de efetivo nas ruas é hoje o principal problema na segurança pública de São Paulo para a maior parte dos moradores do estado. Ao todo, 20% dos paulistas pensam assim.
Os resultados constam da mais recente pesquisa Datafolha sobre o tema. O levantamento ouviu 1.608 pessoas de 16 anos ou mais em 71 municípios do estado de São Paulo.
A margem de erro para os dados gerais é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, mas varia de acordo com o recorte populacional. A pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob os números SP-01703/2026 e BR-06481/2026.
O percentual daqueles que veem na falta de policiamento o maior gargalo da segurança pública paulista é relativamente menor do que aquele registrado em 2022, último levantamento sobre o tema, quando 24% viam esse como o grande problema.
Os assaltos vêm na sequência, com 11%, três pontos percentuais a mais do que os 8% registrados na última pesquisa. Em terceiro está o tráfico de drogas, com 8%, percentual que também cresceu em relação a 2022, quando 4% falavam nisso.
Outras queixas incluem segurança ou a falta dela (7%), leis que não funcionam ou impunidade (6%), facções criminosas e crime organizado (4%) e polícia mal preparada ou mal treinada (4%).
Os apontamentos sobre o pouco efetivo policial nas ruas costuma unir diferentes espectros políticos.
Tanto eleitores de Tarcísio de Freitas (Republicanos) quanto de Fernando Haddad (PT) pensam assim, com 19% e 25% respectivamente. Também não há grandes diferenças entre homens e mulheres: 18% deles veem na falta de efetivo o maior gargalo; entre elas, 22%.
A margem de erro para a intenção de voto em 2026 é de quatro pontos percentuais para ambos os pré-candidatos; a de gênero, por sua vez, vai de três a quatro pontos percentuais.
As queixas em torno do policiamento são mais altas entre os que têm entre 35 e 44 anos. Segundo a pesquisa, 24% dessa faixa etária enxerga nisso o grande problema. Entre aqueles com 16 a 24 anos, por outro lado, são 14%.
A avaliação também é maior entre moradores da capital paulista e região metropolitana (24%) do que no interior (17%).
Para o segmento por faixa etária, a margem de erro vai de cinco a sete pontos percentuais, para mais ou para menos; no recorte pelo porte de cidade, de três a quatro pontos percentuais, para mais ou para menos.
Este não é um problema novo. A quantidade de policiais militares na ativa em maio de 2026, segundo dados da SSP (Secretaria de Segurança Pública) de São Paulo, é inferior à registrada em 2001. A corporação tem hoje 79.603 agentes, de acordo com dados de maio; em 2001, eram 84.404.
O maior efetivo veio em 2006, quando o estado dispunha de mais de 90 mil policiais, número hoje longe de ser alcançado apesar das contratações do governo paulista, que nos últimos anos tem aberto concursos para ampliar o quadro.
Entidades de classe reclamam melhores condições de trabalho desde o início da atual gestão tanto para a PM como para outras forças de segurança paulistas, como a Polícia Civil e a Polícia Penal. A falta de efetivo é uma das principais queixas.
No início do ano, o governador sancionou um pacote de projetos que, entre outras coisas, altera o plano de carreira das forças de segurança e prevê cerca de 10% de reajuste salarial às polícias Civil e Militar.
O texto foi aprovado pela Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) às pressas para atender à legislação eleitoral, que veda a concessão de benefícios a servidores nos seis meses que antecedem a disputa eleitoral. Melhorias nas forças de segurança foram uma promessa de campanha do governador em 2022.
MEDO DA VIOLÊNCIA
A queda nos percentuais de quem vê a falta de policiamento como o principal problema da segurança estadual acompanha a retração verificada em outro indicador: o medo da violência. Segundo o Datafolha, os paulistas sentem menos receio hoje do que quatro anos atrás, em abril de 2022.
Ao todo, 47% dos moradores do estado de São Paulo relatam sentir muito medo de serem vítimas de assalto nas ruas, número que equivale a quase metade da população do estado, mas inferior aos 57% registrados na última pesquisa, quatro anos atrás. Outros 29% dizem sentir um pouco de medo e 24%, nenhum.
A queda se dá também para o receio de ser assaltado nos semáforos. Segundo a pesquisa, 45% dos paulistas têm muito medo de ser a vítima da vez, nove pontos percentuais a menos do que em 2022, quando 54% relatavam esse temor.
A pesquisa mediu também o receio de ser sequestrado ou atingido por bala perdida, incidentes dos quais 33% e 35% relatam ter muito medo, conforme o Datafolha. Ainda segundo a pesquisa, 30% têm muito medo de ser assaltado em casa. Em todos os casos, os índices são inferiores a 2022.
A redução do temor do paulista ocorre ao mesmo tempo em que dados da SSP apontam para uma queda brusca nos indicadores criminais no estado.
O último balanço, relativo a maio, apontou para a diminuição da maioria dos indicadores criminais na comparação com o mesmo período de 2025.
O número de homicídios foi o principal deles. Nos primeiros cinco meses de 2026, por exemplo, o estado registrou menos de 1.000 assassinatos pela primeira vez desde 2001, início da série histórica. Foram 970 ocorrências de janeiro a maio.