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A ofensiva de aliados do ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, contra os institutos de pesquisa que vêm apontando o governador Lucas Ribeiro na liderança da disputa pelo Governo da Paraíba começou a provocar reações. Diante da gravidade das acusações e da discussão sobre uma possível CPI das pesquisas, o portal O Norte Online procurou os responsáveis pelos principais levantamentos divulgados no Estado para abrir espaço ao contraditório.
As críticas têm sido lideradas pelo deputado estadual Filipe Leitão. Em entrevista, ele afirmou que existem institutos comercializando levantamentos eleitorais para favorecer determinados grupos políticos.
“Tem crescido consideravelmente o número de institutos que têm praticado essa venda, essa comercialização de pesquisas para quem interessar comprar e encomendar, para tentar ludibriar, para tentar enganar o sentimento do povo paraibano”, declarou o parlamentar. Ele fez a ressalva de que, na avaliação dele, a prática não envolveria todos os institutos.
Os três institutos procurados por O Norte Online decidiram responder às acusações.
Reação dos institutos
O diretor do DataTrends, Edmar Lyra, observou inicialmente que seu instituto sequer foi citado nominalmente nas declarações do deputado. Ainda assim, resolveu prestar esclarecimentos. Segundo ele, o DataTrends realiza pesquisas na Paraíba com recursos próprios, sem parceria com grupos políticos ou veículos de comunicação, e, embora tenha apenas três anos de atuação, já acumula um histórico de acertos em cidades como João Pessoa, Campina Grande, Recife e Maceió.
Edmar também explicou a mudança registrada nos levantamentos. Ele lembra que, no ano passado, o próprio DataTrends apontava Cícero Lucena na liderança. Já a pesquisa divulgada em maio mostrou Lucas Ribeiro à frente. Na avaliação dele, essa mudança está diretamente ligada ao novo cenário político.
“O governador passou a ter a visibilidade de quem ocupa o cargo e exerce a caneta. Ao mesmo tempo, Cícero deixou a Prefeitura de João Pessoa e perdeu naturalmente essa exposição diária. Isso influencia qualquer processo eleitoral”, afirmou.
Para reforçar sua análise, Edmar citou o cenário de Pernambuco. Segundo ele, a governadora Raquel Lyra conseguiu reduzir uma diferença que chegou a superar 40 pontos em relação ao ex-prefeito João Campos e, em alguns levantamentos, já aparece à frente. Para o diretor do DataTrends, a força institucional do cargo de governador ajuda a explicar esse tipo de virada nas pesquisas.
“Cicero não reclamava antes”
O diretor do Instituto ANOVA, Bruno Agra, também contestou as críticas. Segundo ele, o instituto possui uma trajetória consolidada na Paraíba, com atuação desde 2009 e era conhecido como Data Vox – manteve o CNPJ, mas mudou de nome por questões societárias. Bruno ressaltou que os seus levantamentos chegaram a mostrar Cícero Lucena na liderança até março deste ano.
“As pesquisas só passaram a ser questionadas quando os números mudaram. Antes disso, ninguém falava em manipulação”, observou.
Bruno Agra destacou ainda que o ANOVA só não acertou o resultado em apenas quatro municípios nas últimas eleições municipais. Segundo ele, esse histórico demonstra a credibilidade do instituto.
“Existem institutos que aparecem apenas em ano eleitoral e depois desaparecem. O ANOVA não é assim. Vamos continuar mostrando os números encontrados em campo, independentemente de agradarem ou desagradem grupos políticos”, afirmou.
Críticas são normais
O diretor do Instituto Ceta, Daniel Menezes, adotou uma linha diferente. Em vez de responder diretamente às críticas políticas, ele afirmou que o questionamento às pesquisas acompanha a própria história desse instrumento de medição da opinião pública.
“As pesquisas eleitorais são objeto de críticas desde o seu surgimento, ainda no século XIX. É natural que exista questionamento e isso, sob certo aspecto, é até positivo, porque estimula o acompanhamento crítico da sociedade”, afirmou.
Daniel acrescentou que não tem qualquer receio de uma apuração séria sobre o trabalho realizado: “Os institutos, de uma forma geral, não temem esse escrutínio. Ele deve ser feito pelos candidatos, pelo Ministério Público e pela Justiça Eleitoral, conforme prevê a legislação eleitoral. Os Tribunais Regionais Eleitorais têm sido vigilantes quando provocados”, disse.
Enquanto cresce o debate sobre a criação de uma CPI das pesquisas na Assembleia Legislativa, os três institutos ouvidos por O Norte Online sustentam que seus levantamentos seguem critérios técnicos, defendem seus históricos de acertos e afirmam que qualquer contestação deve ser feita pelos instrumentos previstos na legislação eleitoral.