Caso Celina continue perdendo terreno, a tendência apontada por diversos observadores políticos é que a eleição caminhe para uma polarização entre Arruda e Grass.
A política do Distrito Federal começa a dar sinais de que uma nova configuração eleitoral está em curso. A saída do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) da disputa pelo Senado, em meio ao desgaste provocado pelo caso Banco Master, alterou significativamente o tabuleiro político e abriu espaço para novas projeções sobre a sucessão ao Palácio do Buriti.
Embora Celina Leão (PP) não figure como investigada nas apurações envolvendo as operações entre o BRB e o Banco Master, dificilmente conseguirá passar pela campanha sem enfrentar questionamentos sobre o episódio. Na política, nem sempre basta não estar diretamente envolvido. Muitas vezes, a percepção do eleitor é construída pela associação entre o governante e os fatos que marcaram sua administração.
O problema da governadora, entretanto, vai além do noticiário. As pesquisas mais recentes indicam perda de desempenho eleitoral justamente para quem ocupa a máquina pública. Governantes costumam entrar em campanha apostando na força do cargo e na expectativa de continuidade. Quando os levantamentos passam a registrar queda, o sinal de alerta se acende imediatamente.
Nos bastidores de Brasília, cresce a leitura de que Celina perdeu o protagonismo que mantinha há alguns meses. Se a tendência de retração persistir, sua permanência entre os dois primeiros colocados poderá ser colocada em xeque, alterando completamente o desenho da disputa.
Nesse cenário, José Roberto Arruda (PSD) consolida-se como principal referência do campo de centro-direita. À medida que sua elegibilidade deixa de ser questionada por parte do eleitorado, seu nome ganha espaço nas pesquisas e passa a atrair lideranças políticas que buscam um projeto eleitoral competitivo.
Caso Celina continue perdendo terreno, a tendência apontada por diversos observadores políticos é que a eleição caminhe para uma polarização entre Arruda e Grass.
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Essa percepção já começa a produzir efeitos nas articulações partidárias. No PL, por exemplo, cresce o debate sobre o rumo que a legenda deverá tomar. Embora ainda não exista uma definição oficial, parte expressiva das lideranças avalia que será necessário apoiar um candidato com reais condições de vitória no segundo turno.
É justamente por isso que aumentam os movimentos de aproximação entre integrantes do PL e o grupo político de José Roberto Arruda. Nos corredores do Congresso Nacional, da Câmara Legislativa, do Palácio do Buriti e até mesmo do Palácio do Planalto, o comentário recorrente é que a corrida pelo Governo do Distrito Federal poderá, ao final, se transformar em um confronto direto entre a centro-direita representada por Arruda e a esquerda liderada por Leandro Grass. Se esse cenário se confirmar, o apoio do PL tenderá naturalmente a gravitar em torno do nome que representar o campo conservador.
Redação do Tribuna Livre Brasil