Exclusivo: Capoeira pode virar esporte olímpico

Exclusivo: Capoeira pode virar esporte olímpico

A capoeira pode integrar a lista de esportes olímpicos nos Jogos de Brisbane, em 2032. Segundo informações exclusivas obtidas pelo Jornal de Brasília, articulações ainda informais da Confederação de Capoeira do Brasil (CCB) com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e o Comitê Olímpico Internacional (COI) abrem caminho para que a modalidade possa fazer parte dos Jogos Olímpicos. As expectativas mais otimistas apontam para 2032, mas a edição de 2036 é considerada uma meta mais viável e realista. Qualquer validação oficial depende do reconhecimento da modalidade pelo COI.

Embora o COB demonstre interesse na iniciativa, o caminho para que a capoeira integre o programa olímpico não é simples. Para que isso aconteça, seja como modalidade olímpica ou esporte de demonstração, a capoeira precisaria cumprir alguns requisitos estabelecidos pelas entidades responsáveis.

O consultor esportivo da CCB, Patric Tebaldi, resumiu os principais critérios do COI: contar com pelo menos 55 federações nacionais, preferencialmente distribuídas pelos diferentes continentes, para garantir maior presença global; estruturar, em conjunto com a Agência Mundial Antidoping (Wada), políticas de proteção, ética e compliance; e atender aos critérios de filiação à SportAccord, associação que reúne e representa federações esportivas internacionais.

Foto: Reprodução

A organização responsável por coordenar esses processos é a World Capoeira, entidade internacional que organiza a modalidade mundialmente. A CCB, por sua vez, atua na organização nacional.

De acordo com o consultor, o processo de reconhecimento internacional de uma modalidade pode levar de seis a 12 anos. Sua experiência e o relacionamento construído com dirigentes das duas instituições, entretanto, podem ajudar a encurtar esse caminho. Apesar das possibilidades remotas de inclusão em 2032, alguns requisitos já estão próximos de serem cumpridos. Das 55 confederações exigidas, 46 já estão confirmadas e regularizadas.

O caminho

Patric Tebaldi detalhou as etapas para acelerar a inclusão da capoeira no programa olímpico. O processo começa pela formalização jurídica da World Capoeira e pela consolidação da CCB, etapa já concluída, com estatuto registrado e primeiro Campeonato Brasileiro previsto para o fim de novembro. Também será necessário documentar a presença internacional da modalidade, padronizar regras de arbitragem e rankings, além de criar políticas de integridade e antidopagem em parceria com a Agência Mundial Antidopagem (Wada).

O plano inclui ainda a organização de competições internacionais, como o Pan-Americano, previsto para dezembro, no Peru, e um campeonato europeu, marcado para março de 2027. As próximas etapas envolvem avaliar os requisitos para filiação à ARISF – Associação das Federações Esportivas Internacionais Reconhecidas pelo COI – e à SportAccord, preparar os processos de reconhecimento perante o Comitê Olímpico Internacional (COI) e o Comitê Olímpico do Brasil (COB) e desenvolver uma estratégia para levar a capoeira aos Jogos Olímpicos.

A eventual chegada da capoeira aos Jogos representaria o reconhecimento de uma manifestação afro-brasileira que atravessou séculos de resistência e conquistou o mundo. Ao lado de modalidades de combate já consagradas, como judô, boxe, taekwondo e wrestling, a capoeira acrescentaria uma identidade própria, combinando técnica, estratégia, agilidade, musicalidade e expressão corporal.

Mais do que o sonho de conquistar medalhas, sua presença no programa olímpico daria visibilidade inédita a mestres, professores e atletas que ajudaram a transformar uma tradição brasileira em um fenômeno internacional.

Nesse processo, o Volta ao Mundo Bambas (VMB) desempenha um papel importante. Desde 2022, a organização investe na profissionalização da capoeira, com competições estruturadas, critérios de julgamento, rankings, premiações e transmissões por canais como Combate, XSports e ComBrasil TV. Esse acervo esportivo e audiovisual vem sendo apresentado nas conversas, especialmente com o COB, como documentação da evolução competitiva da modalidade.

“Hoje temos condições de mostrar que a capoeira vai muito além de sua tradição cultural. Existe organização, atletas preparados, regras, arbitragem, televisão e um produto esportivo consolidado. Minha experiência permite estabelecer esse diálogo com as instituições olímpicas. Não significa que a aprovação será imediata, mas a capoeira começa essa caminhada em condições muito mais favoráveis”, afirma Tebaldi.

T CSM

TRIBUNA LIVRE BRASIL

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