Bolsa Família evita duplicação do risco de insegurança alimentar no Brasil

O Programa Bolsa Família tem sido fundamental para mitigar o risco de insegurança alimentar e nutricional no Brasil. De acordo com levantamento do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), sem o benefício, o número de famílias do Cadastro Único em risco de insegurança grave teria dobrado, passando de 2,3 para 4,7 milhões em janeiro de 2025.

Os dados foram divulgados pelo diretor de Vigilância do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) da Secretaria Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome (SECF) do MDS, Alexandre Valadares, durante a 3ª Reunião Plenária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), na terça-feira, 5 de maio.

O Indicador de Risco de Insegurança Alimentar Grave Municipal (CadInsan), ferramenta desenvolvida pela SECF, simula cenários de impacto de políticas públicas por meio do cruzamento de dados socioeconômicos do Cadastro Único com características associadas à insegurança alimentar grave, identificadas pela Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) em pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Valadares destacou que a reconstrução do sistema de monitoramento da insegurança alimentar foi uma prioridade do governo para combater a fome, enfatizando a importância de dados para orientar políticas e integrar programas. Em 2023, o MDS e o IBGE firmaram parceria para a aplicação anual da EBIA, permitindo localizar a fome territorialmente com indicadores como o CadInsan.

Os números mostram avanços significativos: em 2022, a fome atingia cerca de 15% dos domicílios, segundo a Rede Penssan. Com políticas como o Plano Brasil Sem Fome, o percentual caiu para 4,1% no final de 2023 e para 3,2% em 2024, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc) do quarto trimestre. O diretor também mencionou a saída do Brasil do Mapa da Fome como resultado do combate à fome iniciado em 2023.

Além disso, a SECF monitora a Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (TRIA), realizada na atenção primária à saúde, que em dezembro de 2025 alcançava cerca de 10 milhões de famílias, equivalente a 13% do total. Essa ferramenta identifica vulnerabilidades e direciona ações mais precisas.

Os dados indicam que famílias que começam a receber o Bolsa Família têm 16% mais chances de sair da insegurança alimentar em seis meses, em comparação com aquelas que não recebem o benefício.

Outro instrumento é o Censo Sisan, que consolida informações sobre a oferta de políticas nos municípios, incluindo o Indicador de Presença do Sisan nos municípios (PresSisan). Esse indicador monitora ações como cozinhas comunitárias, feiras e apoio à produção de alimentos.

T CSM
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