Bolsa recua 1% e dólar sobe com incertezas sobre guerra no Irã

Barômetros Econômicos Globais interrompem trajetória de alta dos últimos meses, mostra FGV
Barômetros Econômicos Globais interrompem trajetória de alta dos últimos meses, – Reprodução

A Bolsa recua nesta segunda-feira (11), com a recusa dos EUA à resposta do Irã sobre a guerra do Oriente Médio pressionando o mercado acionário. O pregão também é marcado pela temporada de balanços.

Por volta das 15h, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, recuava 1,10%, a 182.089 pontos.

No mesmo horário, o dólar recuava 0,03%, a R$ 4,894. No exterior, a moeda norte-americana também rondava a estabilidade: o índice DXY, que mede o desempenho da divisa frente a seis pares fortes, recuava 0,07%.

Para Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, a negativa dos EUA à resposta do Irã reacende o temor de inflação global. “O noticiário internacional deve pesar mais, principalmente porque o avanço do petróleo pode influenciar o desempenho de companhias ligadas a consumo e transporte”, afirma.

Analistas da Ágora Investimentos destacam, em relatório a investidores, maior cautela no pregão. “O cenário externo mais cauteloso tende a limitar o apetite por risco, reduzindo o fôlego do real e do Ibovespa, ao mesmo tempo em que pressiona a curva de juros”.

No domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou a resposta enviada pelo Irã à proposta americana para encerrar a guerra no Oriente Médio.

“Acabei de ler a resposta dos chamados ‘representantes’ do Irã. Não gostei -TOTALMENTE INACEITÁVEL”, escreveu Trump na plataforma Truth Social, com as habituais maiúsculas, sem informar detalhes sobre o conteúdo.

Segundo a imprensa iraniana, Teerã propôs o encerramento imediato da guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano, a suspensão do bloqueio naval imposto pelas forças americanas, garantias de que não haveria mais ataques, e o fim das sanções econômicas, incluindo as restrições de Washington à venda de petróleo do país persa.

O Irã também teria proposto diluir parte de seu urânio enriquecido e transferir o restante para um terceiro país. Teerã ainda teria exigido compensação pelos danos causados na guerra.

A proposta inicial dos EUA previa a interrupção dos combates antes da abertura de negociações sobre temas mais sensíveis, entre eles o fim do programa nuclear iraniano, o que Teerã rejeita.

A incerteza pressiona os preços do petróleo, que voltam a subir. O barril Brent, referência mundial, chegou a ter alta de 4,62%, sendo vendido a US$ 105,97. Por volta das 13h10, a commodity avançava 2,73%, a US$ 104,06.

As indefinições eram responsáveis por altas tímidas em Wall Street, onde as Bolsas rondavam a estabilidade. Por volta das 13h10, o Dow Jones recuava 0,02%, enquanto o S&P 500 e a Nasdaq avançavam 0,23% e 0,41%, respectivamente.

Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, diz que o mercado reincorpora o prêmio de risco geopolítico que havia sido parcialmente removido. “A rigidez das exigências iranianas sugere que qualquer acordo segue distante, o que tende a manter o Brent em patamares elevados enquanto o impasse persistir”.

Para ele, analistas devem observar o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping. A expectativa é que o presidente norte-americano pressione o líder chinês sobre as receitas que o país gera ao Irã.

Segundo um funcionário de alto escalão dos EUA, Trump já abordou Xi Jinping, em “múltiplas ocasiões”, a questão das receitas que a China gera para o Irã e a Rússia através da venda de petróleo. O funcionário afirmou esperar que esta conversa continue.

No Brasil, o impacto da continuidade do conflito é misto. Por um lado, o real e a Bolsa brasileira são beneficiados pela distância do país em relação ao conflito e pela exposição do país ao petróleo. Por outro, o aumento das incertezas ligadas ao petróleo pode gerar um movimento global de fuga de ativos voláteis para ativos seguros.

Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o mercado vinha esperando a redução das tensões nos últimos pregões. Caso o cenário sinalize alguma inversão, é provável que haja um movimento maior de correções em Bolsas e moedas.

“[Analistas] talvez tenham precificado uma queda relevante do petróleo de maneira muito rápida nos ativos. O mercado não trabalha com a manutenção desses níveis mais elevados. O grande risco é justamente esse cenário não se concretizar, porque ele já está bastante implícito nos preços”.

Segundo ele, o Brasil, por ser um mercado emergente, acaba sendo considerado um ativo de maior risco.

“Assim, uma reescalada do conflito provavelmente significaria dólar em alta, curva de juros no Brasil também para cima e Bolsa para baixo”.

Ainda no cenário doméstico, destaque para a temporada de balanços. O BTG registrou um lucro ajustado de R$ 4,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 42% em relação ao mesmo período do ano passado. Os papéis do banco recuavam 2,23% no início da tarde.

O pregão também conta com a estreia das ações da Compass, companhia de gás e energia da Cosan. É o primeiro IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) em quase cinco anos na B3 (Bolsa de Valores brasileira).

Por volta das 13h10, as ações caíam 0,60%, cotadas a R$ 27,83 cada. Na máxima da sessão, os papéis avançaram 1,25%, enquanto, na mínima, chegaram a recuar 1,42%.

Investidores também aguardam resultados da Petrobras no 1º trimestre, que serão divulgados após o fechamento do mercado.

T CSM
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