O novo governo da Hungria sinalizou nesta segunda-feira, 11, que pretende rever projetos energéticos ligados à Rússia, mas sem romper totalmente a parceria com Moscou, segundo declarações de integrantes da futura equipe ministerial repercutidas pela Bloomberg e Reuters.
O indicado para o Ministério da Economia e Energia Istvan Kapitany afirmou que Budapeste quer diversificar suas importações de energia após anos de forte dependência de fornecedores russos, mas ressaltou que o país não pretende interromper completamente as compras de energia da Rússia, segundo a Bloomberg.
Em audiência parlamentar, Kapitany também disse que o novo governo revisará o financiamento e as condições de implementação da expansão da usina nuclear de Paks, projeto estimado em 12,5 bilhões de euros e conduzido pela estatal russa Rosatom, informou a Reuters. O empreendimento prevê a instalação de dois reatores nucleares VVER de fabricação russa e se tornou um símbolo da proximidade entre Budapeste e Moscou durante o governo do ex-primeiro-ministro Viktor Orbán.
“Precisamos de uma estratégia nuclear transparente”, afirmou Kapitany. Ele acrescentou que os contratos do projeto são classificados e ainda precisam ser examinados pela nova administração.
O primeiro-ministro Peter Magyar, que assumiu o cargo no sábado, 9, após vitória eleitoral expressiva, prometeu reconstruir as relações com a União Europeia. A indicada para o Ministério das Relações Exteriores Anita Orbán afirmou que a Hungria buscará uma relação “igualitária e transparente” com a Rússia. “A Rússia continuará sendo uma parceira, mas a relação não pode ser baseada em dependência unilateral”, disse, de acordo com a Reuters.
Estadão Contéudo