A Justiça tornou réu Cássio Henrique Zampier, suspeito de matar a ex-companheira dentro da joalheria Vivara em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.
A denúncia de feminicídio do Ministério Público foi aceita no dia 11 de março. A informação foi confirmada ao UOL hoje pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
O réu segue preso preventivamente e a audiência de instrução já foi marcada. Ainda conforme a Justiça, a sessão deve ocorrer na próxima segunda-feira às 13h.
O processo está em sigilo e outras informações não foram divulgadas. O UOL também encontrou em contato com a Defensoria Pública, que representa Cássio, mas não teve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Cibelle Monteiro Alves, 22, foi morta esfaqueada no pescoço. Segundo a Polícia Civil, o suspeito foi até a loja onde a mulher trabalhava e a fez refém até a chegada de agentes, que se depararam com a vítima já ferida.
Cássio teria resistido a se entregar e libertar a mulher. A corporação informou que a equipe, então, disparou contra ele para “afastar a ameaça” e conseguir entrar no interior do estabelecimento. Em seguida, a porta foi arrombada para socorrer a vítima, mas Cibele morreu no local.
Imagens que circulam nas redes sociais registraram o momento. Nas gravações, o shopping aparece com os corredores vazios, enquanto policiais e seguranças permanecem próximos à porta da joalheria.
O agressor ficou ferido e precisou ser hospitalizado sob escolta. O homem foi baleado por policiais após ter supostamente resistido a se entregar no dia do crime e foi levado ao Hospital Mário Covas, onde chegou inconsciente e passou por cirurgia. Após alta médica, seguiu para prisão.
A vítima já esteve sob ameaça anteriormente. Segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), a mulher teria feito dois registros de agressão contra o homem antes do ocorrido, um em 2023 e outro em 2025, além de ter medida protetiva de urgência.
Os dois haviam rompido a relação em abril do ano passado. De acordo com o boletim de ocorrência, ao qual o UOL teve acesso, Cássio não aceitava o fim do namoro e fazia contatos constantes com a vítima, descumprindo a proibição judicial.
Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), disse que ela morreu em um “ataque covarde” do ex-companheiro. Em nota, Marcelo Lima (Podemos) também declarou repudiar qualquer ato de violência contra a mulher e ressaltou que a sociedade não pode tolerar esses comportamentos.
Procurada, a Vivara confirmou em nota que a mulher era funcionária da loja. O estabelecimento lamentou o ocorrido e disse prestar todo o apoio e solidariedade à família, aos amigos e aos colegas de equipe. A loja informou ainda que está colaborando com as investigações.
“A Vivara repudia veementemente qualquer forma de violência, especialmente o feminicídio, e reafirma seu compromisso com o acolhimento e a dignidade de suas colaboradoras”, disse a loja, em comunicado.
EM CASO DE VIOLÊNCIA, DENUNCIE
Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 190 e denuncie.
Casos de violência doméstica são, na maior parte das vezes, cometidos por parceiros ou ex-companheiros das mulheres, mas a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em agressões cometidas por familiares.
Também é possível realizar denúncias pelo número 180 — Central de Atendimento à Mulher — e do Disque 100, que apura violações aos direitos humanos.