A polícia do Kosovo prendeu neste domingo (14) cinco sérvios, incluindo quatro ex-policiais, suspeitos de envolvimento em um dos piores crimes contra civis durante a guerra dos anos 1990, informaram os promotores.
Estas são as primeiras detenções na investigação sobre o massacre de mais de 40 civis kosovares cometido por forças sérvias na localidade de Recak (Racak em sérvio), em janeiro de 1999, declarou um promotor à imprensa.
Após uma investigação realizada nos últimos meses, “estas pessoas foram identificadas como integrantes das unidades especiais da polícia sérvia no momento em que participaram da operação de 5 de janeiro de 1999 em Recak”, declarou o promotor Ilir Morina.
Este é o segundo caso aberto pela Justiça de Kosovo sobre o massacre.
A audiência preliminar no julgamento de 21 sérvios por suposta participação nos assassinatos, incluindo ex-comandantes da polícia sérvia, está marcada para 20 de julho.
O caso contra os cinco detidos neste domingo foi batizado de “Recak 2”.
Entre os acusados estão o ex-chefe da polícia sérvia Obrad Stevanovic e o ex-diretor de inteligência Rade Markovic, assim como dois generais e dois coronéis.
Como eles continuam em liberdade e fora do alcance da justiça do Kosovo, os promotores solicitaram que o julgamento aconteça à revelia.
Durante a operação, 42 civis albaneses foram brutalmente assassinados, afirma a acusação. O massacre foi um dos crimes mais graves cometidos contra civis durante a guerra do Kosovo de 1998-1999.
O crime se tornou um ponto de inflexão no conflito, provocando indignação no Ocidente e desencadeando uma campanha de bombardeios da Otan contra as forças do então homem forte sérvio Slobodan Milosevic.
A campanha terminou com a expulsão das tropas sérvias do Kosovo, o estabelecimento de uma missão da ONU no território e, finalmente, sua declaração de independência em 2008.
Mas Belgrado continua sem reconhecer a independência do Kosovo.
Mais de 13.000 pessoas morreram durante o conflito do Kosovo.