Maio Laranja reforça prevenção contra violência sexual infantil

O Maio Laranja tem reforçado a importância da prevenção e do enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes, tema que exige atenção permanente das famílias, das instituições e da sociedade. Como parte das ações de conscientização da campanha, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) intensifica o debate sobre caminhos para identificar, prevenir e denunciar situações de violência.

As promotoras de justiça Liz-Elainne Mendes e Luísa de Marillac, do Núcleo de Enfrentamento à Violência e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes (Nevesca), afirmam que informação, diálogo e fortalecimento dos vínculos familiares são ferramentas essenciais para a proteção de crianças e adolescentes. Segundo elas, o acolhimento adequado e a escuta atenta podem fazer diferença para que vítimas se sintam seguras para relatar situações de abuso ou exploração sexual.

As integrantes do MPDFT explicam que a exploração sexual ocorre quando crianças e adolescentes têm seus corpos utilizados para fins comerciais com conotação sexual. Já o abuso sexual está relacionado a atos de natureza sexual praticados sem necessariamente envolver obtenção de lucro.

Outro ponto de atenção é o aumento dos casos envolvendo o ambiente digital. As promotoras alertam que a internet exige acompanhamento constante dos responsáveis, mas ressaltam que o diálogo deve prevalecer sobre medidas exclusivamente restritivas. Liz-Elainne defende que a criança e o adolescente sintam confiança nos pais, responsáveis e familiares para trocar informações.

Durante as ações do Maio Laranja, o MPDFT também chama atenção para os impactos da revitimização, que ocorre quando a vítima é submetida a repetidos questionamentos, desconfiança ou exposição após revelar a violência sofrida. Luísa de Marillac afirmou que a múltipla exposição da criança a dúvidas e desconfiança representa novas violências, em razão da falta de acolhimento, de proteção e de atendimento adequado.

Liz-Elainne reforçou que, diante de uma revelação de violência, é importante acolher sem pressionar, deixar a criança falar no tempo dela e da forma mais confortável. Segundo ela, excessos de perguntas ou interrogatórios repetidos, além de revitimizar, criam uma atmosfera de desconfiança e podem fazer com que a vítima se cale.

Mudanças bruscas de comportamento, isolamento, crises de choro, alterações no sono, agressividade, automutilação, regressão comportamental e perda de interesse por atividades antes prazerosas podem ser sinais de alerta para situações de violência.

As promotoras defendem ainda que a construção de relações de confiança depende da convivência e do fortalecimento dos vínculos familiares. Luísa afirmou que o Maio Laranja é um convite às famílias para repensar a dinâmica acelerada da vida cotidiana, já que crianças e adolescentes precisam de tempo de convivência.

O MPDFT reforça que denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, pelo Disque 127 do MPDFT, pela Polícia Civil do Distrito Federal e pelos Conselhos Tutelares. Como parte da mobilização da campanha, o tema foi debatido em episódio especial do podcast do Jornal de Brasília, com participação das promotoras do Nevesca.

*Com informações do MPDFT

T CSM
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