Agentes da brigada anticorrupção financeira não receberam autorização, nesta terça-feira (14), para entrar no Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa, no âmbito de uma investigação sobre a adjudicação de contratos públicos a uma mesma empresa, indicou um magistrado.
A operação, revelada pelo jornal Le Canard Enchaîné, apura as condições de adjudicação das cerimônias de entrada no Panteão -monumento parisiense no qual grandes personalidades da França são homenageadas-, atribuídas há 22 anos à empresa Shortcut Events.
Os agentes compareceram em diversos locais, entre eles serviços da presidência francesa e residências particulares, indicou o promotor Pascal Prache em um comunicado, afirmando que não foi autorizado o acesso dos investigadores ao Eliseu.
Prache explicou em um comunicado que os investigadores foram informados de que, segundo a Constituição, os espaços ligados à presidência gozam de “inviolabilidade”.
A investigação foi aberta em 2 de outubro por acusações de favorecimento, corrupção, tráfico de influência, entre outras.
O Panteão, conhecido como “templo dos imortais”, abriga, desde o final do século XVIII, os restos mortais de homens e mulheres que marcaram a história da França. Atualmente, os presidentes decidem quem são essas personalidades.
Segundo o Le Canard Enchaîné, cada “panteonização” custa “cerca de 2 milhões de euros” (aproximadamente de 11,7 milhões de reais).
A investigação inclui as cerimônias realizadas de 2002 a 2024, quando foram incluídos no Panteão os restos mortais do resistente comunista armênio Missak Manouchian, poeta e figura da luta contra a ocupação nazista na França durante a Segunda Guerra Mundial.
O ex-ministro Robert Badinter, artífice da abolição da pena de morte e falecido em 2024, foi o último a ser homenageado, em outubro de 2025.
A próxima “panteonização” será do historiador Marc Bloch, em junho. O resistente judeu foi executado por nazistas.