A Polícia Militar fechou os acessos da rua da Reitoria da USP (Universidade de São Paulo) e cercou o prédio ocupado por estudantes em greve na manhã desta sexta-feira (8).
Os agentes tentaram entrar no edifício para filmar a ocupação, mas foram impedidos pelos manifestantes que passaram a noite no local.
Por volta das 8h, a energia elétrica e a água do prédio foram cortadas, segundo informações repassadas pelos estudantes que ocupam a reitoria.
Viaturas da PM permanecem posicionadas nas imediações da reitoria nesta manhã. Policiais também estão concentrados nos acessos laterais e na parte de trás do prédio, ocupado desde a tarde de quinta-feira (7) por estudantes em greve há mais de três semanas.
A ocupação ocorreu após a gestão de Aluisio Segurado encerrar as negociações com os alunos sobre o fim da paralisação. Os manifestantes reivindicam a retomada da mesa de negociação e aumento nos auxílios de permanência estudantil. Eles afirmam que só vão deixar o prédio quando um encontro for agendado.
Desde a invasão ao espaço, o movimento estudantil tenta contato com a reitoria, que não respondeu a nenhum contato. Deputados e vereadores também tentaram falar com a instituição, mas não houve sucesso.
Durante a madrugada, estudantes dormiram no saguão da reitoria e organizaram turnos de permanência no local. A presença policial elevou a tensão entre os manifestantes, que temem uma entrada da tropa no prédio.
Daniele Milena Oliveira dos Santos, integrante da Executiva do DCE (Diretório Central dos Estudantes) e estudante da ECA (Escola de Comunicações e Artes), afirmou que os alunos passaram a noite em estado de alerta.
“A ocupação se concentra principalmente nas entradas centrais da reitoria, mas estamos cercados pela polícia. Existe uma tensão porque o Choque está em volta da ocupação”, afirmou.
Segundo ela, parlamentares e vereadoras participaram de negociações durante a noite para evitar confronto entre policiais e estudantes. Integrantes da Mandata das Pretas e a vereadora Luana Alves (PSOL) estiveram no local.
“A gente só quer dialogar. Estamos pedindo que a reitoria reabra a mesa de negociação”, disse.
Na manhã desta sexta, estudantes organizaram reuniões entre centros acadêmicos para definir os próximos passos da mobilização. Também estão previstas atividades culturais e políticas no entorno da ocupação.
Em nota divulgada após a ocupação, a reitoria da USP afirmou lamentar “a escalada da violência” e disse que acionou as forças de segurança pública para evitar novos danos ao patrimônio.
“Em toda a ação, serão priorizadas a segurança e a integridade física de todos os envolvidos”, afirmou a universidade.
Para tentar encerrar a greve, a reitoria propôs reajuste dos auxílios do Papfe (Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil) pelo índice IPC-Fipe. Com a correção, o benefício integral subiria de R$ 885 para R$ 912 mensais.
Os estudantes, porém, pedem que o valor seja elevado para cerca de R$ 1.804, equivalente ao salário mínimo paulista. O programa atende 17.587 estudantes de graduação e pós-graduação em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
A ocupação da reitoria ocorrida nesta quinta é a primeira desde 2013. Naquele ano, o movimento começou em 1.º de outubro e só terminou no dia 12 de novembro, quando a Justiça determinou a reintegração de posse, com a participação da Polícia Militar. Estudantes foram presos na ocasião.
A SSP (Secretaria da Segurança Pública) afirmou que a PM acompanha a manifestação e que até o momento não houve registro de intercorrências.
Na quinta, conforme a pasta, equipes do 23º BPM/M (Batalhão de Polícia Militar Metropolitano) e de apoio foram acionadas ao local para garantir a preservação da ordem pública e a segurança. Não houve registro de feridos ou detidos durante a ação.