A queda do helicóptero da Polícia Civil (PC) que matou 5 delegados, 2 peritos e o suspeito da chacina de Doverlândia, em Goiás, completa 14 anos nesta sexta-feira (8/5). A tragédia, ocorrida em 2012, tirou a vida de oito pessoas, em Piranhas, 10 dias após o massacre de sete pessoas em uma fazenda do município vizinho. O grupo deixava a propriedade, em Doverlândia, após a reconstituição do crime, quando uma falha no motor da aeronave provocou o acidente que marcou a cobertura policial em Goiás.
A causa do acidente só foi divulgada quatro anos depois, em 2016, em relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Além do problema mecânico, o órgão vinculado à Força Aérea Brasileira apontou ainda que a aeronave estava com mais peso que o permitido na hora da decolagem e com a manutenção atrasada. Ou seja, “não estava aeronavegavel”.
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Vítimas da tragédia em Piranhas
Os profissionais e o suspeito estavam à caminho da capital depois de deixarem a cena do crime. O grupo, considerado por colegas como um dos mais experientes na época, investigava a chacina praticada contra sete pessoas no dia 29 de abril daquele ano. Na ocasião, eles tinham feito a segunda parte da reconstituição do massacre.
Acidente em Piranhas matou 8 pessoas:
- Osvalmir Carrasco, delegado e piloto;
- Bruno Rosa Carneiro, delegado e piloto;
- Antônio Gonçalves, delegado;
- Vinícius Batista Silva, delegado;
- Jorge Moreira, delegado;
- Marcel de Paula Oliveira, perito criminal;
- Fabiano de Paula Silva, perito criminal;
- Aparecido de Souza Alves, principal suspeito do crime.
Queda do helicóptero
O relatório apontou que o helicóptero, modelo Koala, caiu após o motor apagar em voo a cerca de 300 metros de altura. A investigação, no entanto, não conseguiu precisar a causa exata do acidente, visto que a falha não foi provocada por pane seca, já que a aeronave estava abastecida com 102 kg de combustível.
O estado em que a aeronave ficou após a queda também impossibilitou uma investigação detalhada, uma vez que os componentes do helicóptero ficaram comprometidos devido ao impacto e o fogo. O relatório apontou ainda que, antes da queda, a aeronave chegou a perder uma das hélices do motor principal.
Peça arremeçada
A pá foi arremessada a 150 metros do ponto da queda. De acordo com os testes, não foram identificados indícios de falhas estruturais causadas por desgaste da peça. A hipótese mais provável relatada é que o tempo de reação dos pilotos não foi suficientemente rápido para evitar uma queda na rotação do motor, o que fez com que as pás dobrassem para cima.
Falta de manutenção
Na conclusão do relatório, o Cenipa apontou fatos que podem ter colaborado para a queda do helicóptero que provocou a morte dos delegados, peritos e do suspeito. Entre elas está o fato da aeronave não estar com a manutenção em dia. “O Manual de Manutenção previa que as inspeções de ‘50 horas’ poderiam ser estendidas por até 10 horas. A última inspeção foi realizada em 15 de março de 2012 e a aeronave voou 70h40min até o acidente, ou seja, ultrapassou 10h40min o limite estabelecido no programa de manutenção do fabricante”, apontou na época.
Com isso, o Cenipa explica que houve uma “retirada precipitada” da aeronave que tal contexto contribuiu para um “julgamento inadequado dos pilotos sobre as condições de aeronavegabilidade do helicóptero, levando-os a assumir o risco de operar a máquina sem que a mesma tivesse realizado a manutenção prevista”.
Excesso de peso
Além disso, a aeronave estava com quase 100 kg acima do permitido pelo fabricante no momento da decolagem em Goiânia, antes do deslocamento para a reconstituição.
“Considerando-se o peso vazio do helicóptero igual a 1.810kg, o peso de cada ocupante da aeronave igual a 80kg, o peso da bagagem igual a 10kg e o peso do combustível embarcado igual a 476kg, tem-se que o helicóptero decolou com aproximadamente 2.946,2kg; 96,2kg a mais do que o peso máximo previsto pelo fabricante”, diz o relatório.
Chacina de Doverlândia
A chacina de Doverlândia, que era investigada pelos policiais, aconteceu no dia 28 de abril de 2012. Sete pessoas foram degoladas em uma fazenda a 46 km de Doverlândia. Dois dias depois, Aparecido de Souza Alves foi preso como principal suspeito do crime. Antes de morrer, ele confessou ter matado todas as vítimas para roubar um dinheiro que estaria na propriedade.
Após a tragédia em Piranhas, o inquérito foi concluído apenas em janeiro de 2013. A constatação foi de que Aparecido agiu sozinho, uma vez que peritos encontraram apenas o perfil genético do suspeito em materiais encontrados na fazenda, como cigarro e copos.