Sabesp e Comgás vão custear casas destruídas em explosão no Jaguaré, diz governo

A gestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse nesta quarta-feira (13) que os custos de reconstrução e indenização das famílias atingidas pela explosão no Jaguaré, na zona oeste, serão divididos entre a Sabesp e a Comgás.

Designado pelo governador para coordenar a resposta do estado, o coronel Elson Moreira da Silva afirmou, no local da explosão, que “a responsabilidade é das concessionárias”. “Todos vão ter sua moradia de volta”, acrescentou.

Silva disse que o governo estadual atua na interlocução entre concessionárias, Defesa Civil e secretarias estaduais para acelerar o atendimento às famílias atingidas, mas reforçou que os custos de reconstrução, indenizações e moradia temporária serão pagos pelas empresas.

Tarcísio foi à região à tarde, dois dias depois da explosão. Ele visitou imóveis danificados e conversou com moradores. “A mão pesada do Estado vai se fazer presente”, afirmou, em referência às concessionárias envolvidas.

O governador afirmou na ocasião que a gestão estadual interrompeu temporariamente outras obras semelhantes. “A gente tem mais de 30 obras dessa mesma natureza acontecendo nesse momento. Todas foram interrompidas para que a gente possa revisitar os protocolos e evitar novos acidentes.”

A explosão matou o segurança Alex Sandro Fernandes Nunes, 49. Outros três homens ficaram feridos; dois ainda estão hospitalizados.

O secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco, afirmou que a CDHU já separou cerca de 40 imóveis para atender famílias que não puderem retornar rapidamente para casa após a explosão.

“Não obrigatoriamente elas tenham que ficar num hotel durante um, dois ou três meses”, disse.

Os apartamentos estão localizados em empreendimentos da CDHU na região da Raposo Tavares e no centro da capital. O governo também avalia oferecer aluguel social e cartas de crédito para famílias que tiveram a casa condenada.

“Nós vamos ofertar imóveis para que elas possam viver”, afirmou Branco.

O secretário acrescentou que, caso imóveis públicos sejam utilizados temporariamente pelas famílias atingidas, Sabesp e Comgás irão ressarcir o Estado pelos custos, incluindo mobília e preparação dos apartamentos.

A diretora de relacionamento institucional e sustentabilidade da Sabesp, Samanta Souza, afirmou que o auxílio emergencial de R$ 5.000 pago às famílias não substitui indenizações, reformas ou reconstruções dos imóveis atingidos pela explosão.

“”Os R$ 5.000 são para que a pessoa tenha flexibilidade de tomar algumas decisões da sua vida corriqueira do dia a dia.”

Souza disse que 232 famílias já haviam sido cadastradas até a manhã desta quarta-feira (13) para recebimento do auxílio emergencial. Dessas, 84 já receberam os R$ 5.000 completos, enquanto as demais receberiam depósitos complementares ao longo do dia.

As concessionárias também iniciaram reparos em imóveis classificados com risco verde (sem danos estruturais) e amarelo (com danos parciais) pela Defesa Civil. “Nós estamos aqui com mais de 50 equipes atuando nas reformas dos imóveis”, declarou Souza.

Questionada sobre eventual divisão de responsabilidades entre as empresas, Souza evitou comentar. “Não há discussão em relação a valores. Estamos conjuntamente resolvendo o problema das famílias”, afirmou.

As declarações ocorreram após uma reunião convocada pelo governador com secretários estaduais, concessionárias e órgãos envolvidos no atendimento às vítimas da explosão.

A Defesa Civil informou que 105 residências foram vistoriadas desde terça-feira (12). Dessas, 86 já foram liberadas para retorno imediato dos moradores, 14 seguem interditadas de forma cautelar para reparos estruturais e cinco foram condenadas e precisarão ser demolidas.

“As casas que foram liberadas não significa que não têm danos”, afirmou o tenente Maxwel Souza, porta-voz da Defesa Civil estadual. “TV quebrada, geladeira quebrada, sanca que caiu. Isso tudo vai ser recomposto e ressarcido.”

As equipes das concessionárias começaram a entrar nos imóveis logo após as vistorias estruturais para registrar prejuízos materiais e iniciar os reparos emergenciais.

Na rua Piraúba, epicentro da destruição, crianças voltaram a brincar na calçada com figurinhas da Copa do Mundo de 2026 nesta quarta-feira. Moradores começaram a reabrir bares e barbearias entre paredes rachadas, portas arrancadas e viaturas policiais.

“A vida tem de prosseguir, estamos tentando”, afirmou o líder comunitário Eduardo Santos Vieira, 57, morador da vila há quatro décadas. “Essa normalidade está difícil nesse primeiro momento. Vão ficar os escombros aí para nos mostrar que não vai ser fácil.”

O segurança Manuel Vasconcelos, 50, também tenta reorganizar a rotina após ter parte da casa interditada. A área superior do imóvel, onde há risco estrutural, segue isolada pela Defesa Civil. Já os cômodos da parte inferior foram liberados.

“Como a minha casa tem três cômodos, a parte do meio ficou separada. A parte de cima está interditada”, afirmou. “Se ligarem a luz, eu volto com a minha família.”

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
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