A população de 60 anos ou mais no Brasil teve alta de 58,7% em um intervalo de 13 anos, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (17) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O contingente de idosos saiu de 22,2 milhões em 2012 para 35,2 milhões em 2025.
O crescimento do grupo foi de 13 milhões no período. É mais do que a população inteira da cidade de São Paulo (11,9 milhões).
As informações integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) e mostram mais um exemplo do processo de envelhecimento dos brasileiros, já identificado em diferentes levantamentos do IBGE.
O instituto destacou nesta sexta que a população com menos de 30 anos no país teve queda de 10,4% no intervalo de 2012 a 2025. O contingente recuou de 98,2 milhões para 88 milhões.
Em termos absolutos, a redução foi de 10,2 milhões de pessoas nessa faixa etária. É mais do que a população inteira de 21 das 27 unidades da Federação.
Com a baixa, o grupo de menos de 30 anos passou a representar 41,4% da população em 2025. A proporção era de 49,9% em 2012.
No sentido contrário, os idosos subiram a 16,6% do total de habitantes. O patamar era de 11,3% em 2012.
O país tem assistido a uma elevação na expectativa de vida, o que ajuda a entender o avanço dos mais velhos. Ao mesmo tempo, os mais jovens perdem espaço com a redução da fecundidade.
O demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, pesquisador aposentado do IBGE, avalia que o Brasil ainda não chegou ao fim do chamado bônus demográfico, mas, segundo ele, essa janela de oportunidades está se fechando.
Bônus demográfico é uma expressão usada por especialistas para descrever períodos de alta proporção de pessoas em idade economicamente ativa frente a grupos etários teoricamente dependentes.
Em outras palavras, o fenômeno se caracteriza por uma elevada participação de adultos na população, ante crianças e idosos, como indica análise do IBGE publicada em 2015.
Em tese, a proporção maior de pessoas em idade ativa favoreceria o desenvolvimento econômico.
Segundo Marcio Minamiguchi, gerente de estudos e análises da dinâmica demográfica do IBGE, não há uma definição única para estabelecer se o país já chegou ou quando poderá chegar ao fim do bônus. Isso, diz, depende dos critérios considerados em cada análise.
“A ideia de fim do bônus depende muito da forma como o marcador para fim do bônus é definido. Não existe uma única definição e também não existe uma definição específica do IBGE.”
As estimativas da Pnad divulgadas nesta sexta apontam que os habitantes de 15 a 59 anos chegaram a 135,9 milhões no país em 2025, o equivalente a 64% do total. O número absoluto subiu apenas 0,1% ante 2024 (135,8 milhões).
Já os grupos de 0 a 14 anos e de idosos de 60 anos ou mais somaram 76,7 milhões em 2025, correspondendo a 36% da população. O número absoluto cresceu 0,9% ante 2024 (76,1 milhões).