Palestra capacita educadores do DF contra abusos em redes sociais

A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF), em parceria com a Polícia Federal, realizou na última quinta-feira (23) uma palestra sobre violência sexual contra crianças e adolescentes. A ação, integrada ao programa Guardiões da Infância, já beneficiou 3.500 estudantes e cerca de 1.000 professores da rede pública de ensino.

O evento, organizado pela Assessoria Especial de Cultura de Paz nas Escolas da SEEDF, lotou o auditório Neusa França com profissionais da educação interessados em se capacitar para lidar com casos de bullying, cyberbullying e abusos online e offline. A secretária de Educação interina, Iêdes Braga, abriu o encontro destacando a necessidade de atenção ao cyberbullying e ao uso consciente das redes sociais.

Ana Beatriz Goldstein, chefe da Assessoria Especial de Cultura de Paz, enfatizou a importância de discutir esses temas no primeiro semestre, período de aumento de casos. Ela mencionou parcerias com a Polícia Federal, Secretaria de Segurança Pública, Batalhão Escolar e Anatel para promover segurança nas redes. Goldstein alertou para o ‘abandono digital’, uma forma de negligência parental que expõe crianças a riscos ao permitir acesso excessivo e sem orientação à internet.

O delegado Thiago Medeiros, da Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos da PF, palestrou sobre perfis e sinais de abuso sexual infantojuvenil, além de procedimentos para atuação escolar em casos de suspeita. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024, a cada 100 mil habitantes, 41,2 foram vítimas de estupro de vulnerável, com 80% dos casos envolvendo menores de 18 anos, e 84,7% dos abusos cometidos por conhecidos ou familiares.

Medeiros ressaltou que não há perfil definido de abusador, mas destacou fatores que favorecem a vitimização, como excesso de tempo nas redes sociais sem vigilância parental, carência emocional, vulnerabilidades pré-existentes, histórico de bullying e ambiente familiar conflituoso.

Entre os sinais físicos identificadores, ele listou dores ou irritações na área anogenital, hematomas, infecções recorrentes, dificuldades para urinar ou evacuar, doenças sexualmente transmissíveis e gestações. Sinais sociais incluem mudanças comportamentais súbitas, isolamento, tristeza profunda, culpa, recusa a contato físico, medo de locais específicos, comportamentos infantis regressivos, silêncio excessivo, dificuldade de concentração e curiosidade sexual inadequada para a idade.

Para os educadores, o delegado recomendou observar os alunos, criar vínculos especialmente com os mais problemáticos ou tímidos, manter registros escolares, conversar sobre alterações de comportamento em ambientes acolhedores, ouvir sem interromper ou julgar, usar linguagem acessível, perguntar apenas o necessário, levar a sério as denúncias e expressar apoio e solidariedade.

Natalia Acioly, servidora da Unidade de Gestão Articuladora da Educação Básica (Unigaeb), destacou que a escola é um refúgio para crianças vítimas de abusos, onde problemas sociais emergem e professores podem ajudar.

T CSM
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