Onde o chifre vira resenha: Bar dos Cornos no Gama se torna refúgio dos traídos 

Existem lugares que guardam segredos. Lugares onde o peso da vida, ou melhor, o peso da testa, fica um pouco mais leve. O Gama abriga um santuário para aqueles que amaram demais e receberam em troca uma traição, o famoso chifre. Localizado no Setor Oeste da cidade, o Bar dos Cornos funciona há quase 24 anos e conta com uma cartela de clientes fiéis.  

O nome, no início, não era esse. O apelido começou como uma brincadeira entre os frequentadores por causa dos contos de desamor que surgiam no balcão quase todos os dias. Walter José, conhecido como Buchada, é o dono do estabelecimento e detalha a história da fundação do bar. 

“Quando eu cheguei aqui, em 1992, eu tinha 16 anos e estava com uma namorada. Eu querendo casar com ela e levei uma ‘galha’ mais linda”, brinca. Anos depois, quando criou o bar, os clientes trocavam entre si histórias parecidas. Com a popularização dos causos contados sempre no mesmo lugar, surgiu a ideia de nomear o lugar como Bar dos Cornos, que antigamente era chamado de Bar do Buchada. 

Decorado com chifres e bois na entrada, não há um morador da cidade que já não tenha ouvido falar do bar. Os mais antigos recebiam até uma carteirinha oficial de corno. Hoje, apesar do nome engraçado, o local recebe várias famílias e a amizade entre os frequentadores foi se solidificando. 

E o que não falta são histórias de traição. Lucas da Silva, cliente fiel que frequenta o bar há anos, conta um relato pessoal: “Namorava uma menina e descobri que fui corno por um padre. Ali foi um chifre internacional, porque o mundo inteiro ficou sabendo”, brinca. Os casos são contados por muitos de forma leve e divertida. Apesar do coração magoado, as histórias renderam boas amizades. 

SAIBA MAIS 

O dia dos cornos é celebrado nacionalmente em 25 de abril. A data que surgiu como uma brincadeira, tem origem religiosa. A celebração remete ao dia de São Marcos. No século 18, em Portugal e na Espanha, eram feitas procissões para o santo e os fiéis levavam coroas com chifre até o altar. O apetrecho era colocado em homens casados pelos padres. 

O costume curioso acabou virando piada popular principalmente no Brasil. Embora não haja uma data oficial nos calendários, a celebração ganhou notoriedade e é sempre lembrada nas redes sociais.

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
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