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O cenário deixa o futuro político do país em aberto, com negociações que podem se estender por meses.
A Comissão Eleitoral Central de Israel concluiu a contagem dos votos das eleições parlamentares, confirmando que o bloco liderado pelo primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, do partido Likud, obteve a maior representação, mas sem atingir a maioria necessária para governar.
Com 100% das urnas apuradas, o bloco de Netanyahu soma 53 das 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento israelense. A oposição, liderada por Gadi Eisenkot, da legenda Yashar, contabiliza 48 assentos. As 19 vagas restantes foram conquistadas por partidos árabes, que se tornaram peças-chave para a formação de qualquer coalizão, embora a viabilidade de alianças com essas siglas enfrente resistência interna.
O resultado final divergiu das pesquisas de boca de urna, que apontavam vantagem para a oposição. O pleito registrou uma participação de 77,7%, a maior desde 1999, em um contexto marcado pelos desdobramentos dos conflitos iniciados em 7 de outubro de 2023. O desempenho dos partidos árabes foi um dos destaques, superando o recorde anterior de cadeiras obtidas em 2020.
O processo eleitoral foi acompanhado por tensões políticas e acusações de interferência estrangeira. Integrantes do atual governo alegaram, sem apresentar provas, que partidos árabes teriam recebido financiamento ilegal do Qatar. As alegações foram refutadas pelas legendas citadas e classificadas como infundadas pela Comissão Eleitoral Central. O serviço de inteligência Shin Bet informou que suas apurações sobre o tema tiveram escopo limitado e não interferiram na contagem dos votos.
O cronograma institucional prevê que, após a oficialização dos resultados, o presidente Isaac Herzog inicie consultas com os líderes partidários para indicar um parlamentar responsável pela formação do gabinete. O indicado terá um prazo inicial de 28 dias para reunir apoios e obter um voto de confiança do Legislativo. Caso não haja consenso, novas eleições podem ser convocadas. Até que um novo governo seja estabelecido, Netanyahu permanece no cargo.
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