Uma fintech sediada na região da Faria Lima, em São Paulo, e investigada por movimentar cerca de R$ 1 bilhão em um esquema de apostas ilegais teria deixado de comunicar às autoridades fiscalizadoras as movimentações financeiras suspeitas realizadas por empresas ligadas ao setor.
De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), apesar do grande volume financeiro, a instituição realizou apenas uma comunicação de operação suspeita no final de outubro.
Segundo a corporação, a instituição financeira teria sido utilizada como estrutura para receber, movimentar e ocultar recursos oriundos de apostas clandestinas. Embora contasse com autorização do Banco Central para funcionar, a empresa teria descumprido obrigações legais de monitoramento e comunicação de atividades atípicas.
Esquema e movimentações financeiras
As investigações apontam que grande parte dos recursos movimentados pela instituição tinha origem em plataformas de apostas ilegais. A falta de alertas por parte dos mecanismos internos de controle chamou a atenção dos investigadores ao analisarem transações milionárias em curtos períodos de tempo.
Os apostadores realizavam pagamentos por meio de QR Codes vinculados ao Pix, sendo identificado o mesmo CNPJ como responsável pelo processamento das transações em diversas plataformas. Ao aprofundar a apuração, a polícia descobriu que aproximadamente R$ 739 milhões movimentados pelas bets investigadas foram destinados à estrutura financeira da fintech.
Operação policial e bloqueios
A ação policial mobilizou cerca de 200 agentes para o cumprimento de mandados de busca e apreensão em diversos estados, incluindo o Distrito Federal, São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte. A investigação identificou uma estrutura que utilizava empresas de fachada e pessoas recrutadas para ocultar os verdadeiros responsáveis pelas transações.
Diante dos indícios levantados, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 3,48 bilhões em patrimônio e valores dos investigados. A decisão também suspendeu os registros de 100 empresas e autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de dezenas de pessoas físicas e jurídicas.
Entenda o caso
- Onde e quando: A operação foi deflagrada em novembro, com mandados cumpridos no Distrito Federal e em cinco estados.
- Principais informações: Uma instituição financeira é investigada por movimentar cerca de R$ 1 bilhão e omitir operações suspeitas ligadas a apostas ilegais.
- Medidas anunciadas: A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 3,48 bilhões em patrimônio, suspensão de registros de 100 empresas e quebra de sigilos.
- Próximos desdobramentos: Os investigados podem responder por crimes cujas penas somadas variam de 11 anos e 6 meses a 31 anos de reclusão.
Informações: Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
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