CIDADES
A informação é do antropólogo forense Alexandre Castro, que atua há mais de oito anos na área e lida com uma média de 20 a 40 casos anuais de difícil resolução.
A maioria dos corpos que chegam ao Instituto de Medicina Legal (IML) do Distrito Federal sem identificação pertence a homens adultos jovens, pretos ou pardos.
O processo de identificação enfrenta obstáculos como a falta de padronização nos registros entre estados e a ausência de amostras de referência, como o DNA de parentes.
Para mitigar essas dificuldades, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou, em junho de 2026, a Resolução nº 684, que estabelece diretrizes nacionais para a coleta de dados biométricos e biológicos antes do sepultamento de corpos não identificados ou não reclamados, visando facilitar o intercâmbio de informações com cadastros de pessoas desaparecidas.
No Distrito Federal, o sepultamento de pessoas não identificadas é realizado por meio do Benefício Eventual – Auxílio por Morte, da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF). O registro do local de enterro é mantido para permitir futuras exumações caso a identidade seja descoberta.
Além das ações locais, o Ministério da Justiça e Segurança Pública coordena a Mobilização Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas. A quarta edição da campanha, realizada em agosto de 2026, disponibilizou 342 postos de coleta em todo o país para ampliar o banco de perfis genéticos, que já conta com mais de 14 mil amostras de familiares cadastradas.
Entenda o caso
- Perfil das vítimas: A maior parte dos corpos não identificados é composta por homens adultos jovens, pretos ou pardos.
- Desafio da busca: A identificação depende fundamentalmente da procura por familiares; muitos casos permanecem sem nome por ausência de busca ativa.
- Metodologia: O trabalho pericial utiliza papiloscopia, odontologia legal, exames de DNA e antropologia forense para estimar o perfil biológico.
- Georreferenciamento: Pesquisas indicam que a maioria das pessoas é encontrada a uma distância de dois a três quilômetros do local onde desapareceram.
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